
Para ficar fácil de entender, pense no Cargo como o "título" que a pessoa carrega no papel, e na Função como "o que ela está fazendo na prática" naquele ano letivo.
É a posição oficial criada por lei, com nome específico, número de vagas e salário-base definido. É aquilo para o qual o profissional fez o concurso público (ou foi contratado temporariamente). O cargo dificilmente muda.
Exemplos: Professor de Educação Básica, Auxiliar de Serviços Gerais (ASG), Merendeira, Assistente Administrativo.
É o conjunto de tarefas e responsabilidades que o profissional está desempenhando de fato na escola naquele momento. A função pode mudar todo ano, dependendo da necessidade da rede de ensino.
Exemplos: Regente de Classe (dar aula), Coordenador Pedagógico, Diretor Escolar, Responsável pela Biblioteca, Readaptado na Secretaria.
O Cenário Comum: Um servidor possui o Cargo de Professor, mas este ano ele foi designado para a Função de Diretor Escolar ou Coordenador. Da mesma forma, um servidor com o Cargo de ASG pode estar na Função de Porteiro devido a uma restrição de saúde ou necessidade da escola.
Se o sistema de lotação registrar apenas o Cargo, a Secretaria de Educação fica "cega". Ela sabe o que contratou, mas não sabe o que a pessoa está fazendo hoje. Registrar as duas informações traz vantagens fundamentais:
Muitas funções trazem consigo gratificações temporárias (como o bônus para quem exerce a função de Diretor ou gratificação de difícil acesso).
Se o sistema registra que o Cargo é Professor, o RH paga o salário-base.
Se o sistema aponta que a Função atual é Diretor, o sistema de folha calcula automaticamente o acréscimo. Quando ele deixar a função, o sistema remove o benefício sem mexer no cargo de origem.
O desvio de função acontece quando um funcionário é obrigado a exercer tarefas totalmente diferentes do seu cargo sem o amparo legal ou sem receber por isso.
Registrar a função deixa claro o histórico do servidor. Se um funcionário do cargo de ASG está na função de Auxiliar de Secretaria por motivos de saúde, isso precisa estar oficializado no sistema (geralmente como "Função Readaptada") para proteger legalmente tanto o gestor quanto o trabalhador.
Professores em regência de classe têm direito a regras mais brandas de aposentadoria. Porém, se durante a carreira esse professor passou 5 anos na Função de Coordenador ou Diretor, esse tempo de secretaria não conta como "sala de aula". O registro exato de quando ele esteve no Cargo X, mas desempenhando a Função Y, é o que garante uma transição de aposentadoria sem erros e sem fraudes.
Quando o Tribunal de Contas ou o Censo Escolar (INEP) perguntam ao sistema: "Quantos profissionais atuam na cozinha?", o sistema não pode buscar pelo Cargo "Merendeira", porque pode haver um ASG remanejado para a cozinha ajudando no preparo. O sistema precisa buscar pela Função: Merenda Escolar. É isso que gera o dado real da força de trabalho nas escolas.



